O QUE É ESSA COISA CHAMADA PSICOTERAPIA?
Parafraseando
Cole Porter
MARCO AURÉLIO BAGGIO
11-6-2012 20-8-2013
13 –10 – 2011 --
26-2-2011------21/02/2011
A primeira
grande concepção sobre psicoterapia surgiu com Freud, entre 1887 a 1935. Há
oito Freuds distintos.
Ferenczi. Rank. Stekel. Reich. Alexander. Fenichel.
Sachs. Melanie Klein. Winnicott. Franz Alexander. Jung. Lacan Pichon Riviere . Liberman Gestalt. Perls.
Carkuff.
Grupo >
Moreno – Yalom
Franceses
– Nacht. Laplanche e Pontalis. André Green.
Deleuze e
Guattari - Baremblitt. Esquizoanálise.
A
Psicoterapia trata do Édipo
Relação de
poder normatizando a sexualidade.
Gostar da
mãe: possuí-la, incorporá-la.
Antagonizar
ao pai, querer afastá-lo ou destruí-lo.
São vivências de amor e de apego; de ódio e
de repúdio. A necessidade de conviver
com os dois obriga a criança a vivenciar, em drama, o Édipo.
Aceitar sua infantilidade, sua dependência, sua impotência. Aceitar a
castração. Perder o narcisismo excessivo onipotente infantil. Aprender a ir diante, ambivalente, para
assim sobreviver. Adquirir habilidades.
Crescer. Independentizar-se.
O Édipo é a forma privilegiada de formação do
sujeito psíquico no Ocidente capitalista familial cristão urbano.
Trata-se
de vivenciar os percalços de uma ‘novela familiar’.
Não é a
única forma de constituição do sujeito psíquico.
Em toda
psicoterapia estabelece-se relação cliente – psicoterapeuta.
O cliente procura o
profissional. O cliente vence suas inibições e vergonhas. Expõe sua demanda: o
que busca, o que quer, o que acha que precisa. Derrama sua problemática.
Não há
psicoterapia de graça. É sempre um comércio, um intercâmbio de interesses e de
valores.
O homem é
um ser de ambiguidade, de ambivalência.
O homem é
um ser ávido, que quer tudo e muito e constantemente.
O homem é um ser de
irresolução, de indefinição, cheio de vacilações e de dúvidas. O homem acumula
consigo, em seu psiquismo, elevado índice de indecisões.
O cliente
relata um conjunto de contenciosos que se acumularam em seu psiquismo, se
encavalando como galhos e lixo formando represa, impedindo o livre fluir do
fluxo vital do bom viver.
O paciente está todo engastalhado, peado
daqui e dali, tenso e insolvido. Tensão excessiva leva a fadiga e ao
colapso.
Vem perdendo eficiência em
suas atitudes, perdendo qualidade em seu trabalho, perdendo sua capacidade de
obter o prazer disponível e legítimo em suas atividades habituais. Quase nada
dá certo. Quase nada prospera. Quase já não há mais lucro ou vantagem em viver.
Está vivendo em sucessão de
impasses e de indefinições sofríveis e altamente desgastantes.
O paciente
apresenta um estado de ânimo desmoralizado. Seu estado de humor
está nitidamente rebaixado: mau humorado com frequência; distímico por épocas
inteiras; tristonho e desanimado, tantas vezes. Cansado sem motivo, desmotivado
e pessimista, tantas outras vezes. O âmbito geral de sua vida apresenta-se
destemperado, insosso, sem graça e sem sentido. O mau humor frequentemente
acompanha-se de irritação, de intolerância e de estupidez. Mau humor é véspera
de infelicidade.
Se as
coisas não transcorrem como você quer, aja como homem: dê patada pra todo lado
. Millôr Fernandes.
O
psicoterapeuta, após ouvir o desabafo do cliente, já há muito capacitado, logo
faz um recorte gestáltico das queixas
e das demandas do cliente.
Ser
psicoterapeuta profissional é ser capaz de estabelecer rápida empatia por seu
consulente e, logo, estabelecer contra-transferência simpática,
positiva, com relação ao cliente que o escolheu e, nele, terapeuta, depositou
sua conflitiva.
As problemáticas
humanas são poucas. Não passam de umas trezentas. Ou menos.
Os dramas que de
desenrolam no espaço interno do psiquismo dos seres humanos é uma coleção
finita e restrita de poucas centenas de peças. Assim, ser psicoterapeuta é como
ser um maestro regendo orquestra, ou como cineasta montando filme ou, melhor
ainda, um hábil diretor de teatro coordenando falas e desempenho de atores.
Com o passar das
décadas, a gente aprende e se habitua. Quase não dá erro. O ser humano é matemático
em meio a furrupa, a algazarra e a algaravia que apronta. Seus rififis, suas
badernas, seus bafafás, suas felonias, seus zilbadones e até suas
farândolas, são os mesmos, absolutamente previsíveis.
Desde os gregos, os
romanos, os persas e os negros africanos, já foram mapeadas todas as
trampolinagens de que o homem é capaz de cometer. Não há quase nada de novo sob
o Sol. Cohelet, o pregador e Shakespeare demonstram isso.
O que o
consulente traz para tratar em psicoterapia?
Sua culpa. Suas culpas.
Sua culpa
cristã de ter sido inoculado com a mancha imarcescível do “pecado original”.
Nasceu devedor, faltoso, pecador, irremediavelmente marcado com o ferrão que o acusa de ser um ser
inferior, que deve viver submisso, arrojado diante de um nunca explicitado
criador Senhor Deus.
Essa
asquerosa e falsa montagem de Paulo, o criador do cristianismo hegemônico
vitorioso, tem que ser desacreditada e desmantelada com vigor. A criança
humana, o bebê nasce “limpo”. Sem dívida a nenhuma monstruosa condenação ou armação
divinatória.
Outras
culpas são relatadas.
A de ser
voraz e querer excessivamente o disponível. A culpa de avançar sobre o que é
dos outros, com avidez e renitência.
A culpa de
possuir desejos indecentes, imorais e perversos.
A culpa de
cometer atos maldosos e malignos.
A culpa de
ser quem se é : mal-enjambrado, feio, torto, insuficiente, disforme, dotado de poucas qualidades.
A culpa de
não ter chegado a ser quem gostaria de ter sido.
A lama de
não ser o que se quis.
A
psicoterapia, em sua dimensão catártica, confessional, é poderoso instrumento
para acarretar a desculpabilização de tantas falsas auto e hetero acusações.
O psicoterapeuta sempre trabalha podando as
excrescências das pretensões excessivas que todo cliente possui. A idealização
exaltada de si mesmo, instilada em nosso psiquismo, em nossa sociedade
ocidental capitalista, sob a forma de criança excessivamente narcizada por pais classe média em ascensão cultural e
financeira. Filhos narcisos introjetam uma elevada e inadequada pretensiosidade
acerca daquilo que são (e que não correspondem quase sempre).
E, sobretudo, pretendem
por demais aquilo tudo que acham que o mundo lhes deve, no futuro.
Em
psicoterapia, é de bom alvitre coartar logo essas ilusões idealizadas,
postas no campo do impossível e do irrealizável, que só fazem sofrer, uma vez
que mantém o sujeito hiante, de boca
aberta, devorando apenas vazio e ar.
Baixar a
bola, amortece-la, botar no terreno, altear a cabeça, para poder avaliar qual a
melhor possível jogada a fazer : isto é função da psicoterapia.
Pretensiosidade
e idealização excessivas, de si, do outro, da vida, do país, das próprias
qualidades, é um dos principais componentes infelizes que captura, em armadilha
insolúvel, o psíquico e a vida do ser humano.
Em um
mundo multifário, desmastriado, esfrangalhado na incerteza de seus valores
éticos tradicionais, hoje colocados em precipitação infinita, a questão da lealdade,
da sinceridade e da honestidade vem se constituindo motivo de conflitos e de sofrimento.
Ser leal a quê? A quem? Serei correspondido
em igual medida? Ou a ¾ partes, ½, 1/3, ou a 1/20? Como agir? Como me manter
fiel a um pacto que, um dia, lá atrás, pareceu tão vantajoso para as partes,
tão fácil de cumprir? A estratégia relacional
nesses casos é o jogo “etapa por etapa, legal comigo, legal contigo”.
Aja com decência e lealdade sempre que receber do outro esse tratamento. Pague
a defecção com o afastamento e a punição.
Um tema
candente que sempre comparece nas relações afetivas e sexuais dos seres humanos
adultos é o da infidelidade. Nosso imaginário é sobrecarregado de
demônios e de seres que não existem, pululando no sol negro da melancolia.
Chifre,
corno, infiel, traidor, cafajeste, indecente, ordinário, puto, vagabundo,
insincero, enganador, velhaco, mau-caráter, canalha, inconstante, inconfiável,
trapaceiro. A quantidade de sinonímicos evidencia a quanto o tema da
fidelidade/infidelidade opera tantalizando a mente das pessoas, em nossa pré
conceituosa sociedade. Fidelidade/infidelidade é um dos assuntos que mais
perturbam as relações humanas, sobretudo a dos casais. É uma questão das que
mais neurotiza e faz sofrer as pessoas.
Cinicamente,
diz-se que chifre não existe, é uma coisa que puseram em sua cabeça. Pessoas
esquecem que o desejo sexual humano possui natureza perversa: cada um goza com
o que pode, com o que quer e com o que consegue obter. A natureza do desejo
pulsional humano é polimorfa, plurívoca, multifária: quase tudo, quase todos,
são passíveis de se tornarem investidos de libido, de interesse e de excitação
sexual.
Cada um
come o que gosta. Os seres humanos, sobretudo aqueles injetados de
testosterona, tendem a serem polígamos e promíscuos.
Se a
fidelidade e a fidelização de parceria amorosa é uma virtude desejável e, por
decência, tantas vezes alcançável, a infidelidade, isto é, a variação de
parceria sexual é um bem também. E uma especial delícia. A excitação sexual em
variação não se deve censurar, é um valor em si.
Mantém-se fiel quem quer e
consegue. É bom.
A vida me ensinou contudo, que a
pessoa só pode, só deve ser fiel a si mesmo. E assim cumprir o desiderato de
seu instinto pessoal.
Em
psicoterapia, trabalha-se sempre e muito com a elaboração das perdas (
por sinal, a maioria delas são
evitáveis), que o transcurso da vida acarreta. O cliente traz ao médico
psicoterapeuta os lutos protraídos, mal elaborados, patológicos, que permanecem
como estranhos atratores, esgotando energia endógena, depletando o psiquismo do
sujeito.
O objeto querido, amado, que se foi ou que
lhe rejeitou ou que fez o desfavor de morrer, tende a ser internalizado,
incorporado em um espaço na mente do enlutado. Trata-se de um cadáver,
apodrecendo na sala de estar da vida do sujeito. Tal despojo implora por um
tratamento ritual para carpi-lo,
embalá-lo e enterrá-lo, com todas as honras a que ele – objeto periclitado,
objeto rejeitante, objeto morto, objeto filho da puta que não mais lhe quis e
o abandonou ao relento –, com todas as honras (e xingatórios) que ele
faz jus.
Luto mal
processado entristece. Tristeza é a mãe de todas as depressões. Essas,
por sua vez, é responsável por mutações endotropocinéticas que levam ao
aparecimento das doenças psicossomáticas e, mais remotamente, às doenças
crônico-degenerativas.
Neste campo, nesta
temática – o do luto, da tristeza por perdas reais ou imaginárias, nas
depressões leves e moderadas,
a psicoterapia possui uma eficácia resolutiva
terapêutica de primeira ordem.
Em psicoterapia, trabalha-se bem com o descarrilamento psiconeurótico
de vida das pessoa. O cliente chega relatando uma sequência de atos torpes e de
desempenhos antieconômicos, inadequados. A partir de certo ponto ou de
determinado evento, sua vida tornou-se uma inconsequente sucessão de desacertos
e de retrocessos. Parece uma carreta de 77 toneladas descendo desembalada, sem
freios, na Betânia, pelo Anel
Rodoviário de Belo Horizonte. Ou um trem de ferro descarrilhado arrasando o que
encontra pela frente. O relato dramático é o de uma pessoa que perdeu seu
talante, sua capacidade de fazer valer sua vontade, seu juízo e incapaz de
buscar e obter aquilo que lhe convém. É altamente gratificante escorar com
poderosos macacos hidráulicos daqui e dali, levantar isso e aquilo, reformar o
possível até recolocar o sujeito por cima dos trilhos das boas possibilidades de
sua pessoalidade.
É claro que ele
terá que pagar os estragos e as dívidas e passar a aceitar ser mais manso e
mais humilde, aprendendo com os erros a se conduzir segundo as regras do jogo
na sociedade em que vive.
Voltando a correr sobre mansos e seguros
trilhos, irá recuperar as perdas, gerar nova riqueza e, lá, depois, mais
cambono de si mesmo, seguro e certo, poderá inventar moda e até criar algo com
valor artístico.
Psicoterapia
é dispositivo específico e eficaz para ajudar a pessoa a se desmisturar de
tanta gente e de tantos preceitos que se tornaram avelhantados e disfuncionais.
Toda relação humana, como todo alimento para consumo, vem com prazo de validade
demarcado. Relações pais-filhos costumam ser as mais duradouras. Colegas de
escola, companheiros de trabalho, de empregos, círculos sociais, mesmo
interesses pessoais, lá um dia, se distanciam e acabam. Amores e amizades hoje, costumam ser
fugazes.
A psicoterapia
faculta a pessoa a aceitar melhor o encerramento da até então, brilhante e
desejável relação para meter-se logo em nova relação frutuosa que se
descortina.
Para cada
ilusão que se vai, há outra que se oferece.
Para cada janela que se fecha, há sempre uma porta que se abre.
Transitar mais do
que locomover-se de carro pela cidade ou viajar pelo mundo. Transitar pelos
novos amores, amigos, interesses e associações que logo se descortinam é
desiderato desejável.
Psicoterapia
é tratar de relativizar, de desabsolutizar o relativo que o
cliente neurótico toma como verdade absoluta.Trata-se de um trabalho de
desmantelamento dos memes disfuncionais e encarquilhados, trazidos do
passado do sujeito.
O psicoterapeuta
sabe que a verdade é composta de várias faces, inúmeras versões,
incertas nuances. A verdade nunca é pedra basilar ou fecho de abóboda, nem
mesmo pedra de toque, como quer o estreitamento comodista da mentalidade do
neurótico. A verdade é uma dama de muitas faces e inúmeras roupagens. A
moda, á maneira da peça IRMA VAP.
Desempenha
variadas funções no conceito de circunstâncias que a envolve.
A
psicoterapia moderna teve início por volta de 1895, quando Freud foi calado por
Frau Emmy von N. que queria falar, falar, falar e falar, ‘limpando sua
chaminé’. Nessa época, induzindo suas jovens clientes burguesas vienenses
instruídas a recordar de eventos passados, Freud deduziu que os sintomas e os
sinais histéricos tinham origem, eram causados por acontecimentos de cunho
erótico sexual recalcado, soterrados no psiquismo de suas consulentes.
Pareceu-lhe então, que no passado delas, estavam ancoradas a gênese de suas
estúrdias manifestações.
Primeiro
Freud empregou a hipnose. Depois, descobriu a associação livre de idéias como a
forma de obter acesso as memórias reprimidas. Surgia assim, um novo material
psíquico relatado que aparecia sob a forma de trauma, traumas psíquicos,
eventos traumáticos que marcaram indelevelmente os psiquismos dessas pacientes.
Logo, em
decorrência, Freud descobriu que, com o afloramento do material sexual
recalcado, a clientela tomava consciência de sua problemática. Adquirir mais ampla consciência de suas
vivências permitia a cura dos sintomas. Algo súbito. Brilhante. Quase
espetacular, acontecia... Ampliar o escopo de sua consciência não só curava os
sintomas, como favorecia a tomada de novas atitudes requeridas para que a vida
da pessoa seguisse adiante. Durante anos, décadas, tudo parecia correr bem. A
fórmula química mágica de cura do psiquismo neurotizado estava descoberta. E
funcionava.
Até hoje,
terapeutas novatos ou afoitos creem e professam práticas visando rememorar o
passado, tomar consciência dos fatores reprimidos e assim, curar os sintomas.
Alguns, eivados de devota convicção,
cometem o absurdo de induzir a formulação de vivências traumáticas em
impossíveis ‘vidas passadas’.
Só que...
Só que havia pacientes que não faziam esse circuito... E de 1910 a 2013, o
número de pacientes que desborda e não segue esse primoroso roteiro, só vem
aumentando. A maioria absoluta dos clientes não tem quase nada recalcado em seu
passado, a não ser banalidades.
O
inconsciente das pessoas quase nada apresenta de novidade e menos ainda, de
traumatismos especiais. Para piorar, sabe-se hoje, com precisão matemática, que
tomar consciência de conflitos, de problemas, de situações em processo de
confecção, quase não muda nada. Adianta muito pouco.
É, agora eu sei:
Percebo e integro todos os componentes da minha conflitiva que me faz sofrer e
ser tão insuficiente. E daí?
O E daí? So?
mata qualquer iniciativa.
Cavoucar o
passado, fazer arqueologia em e de si mesmo, encontrar restos e traços
marcantes, ampliar o escopo referencial de suas vivências é valioso e é
útil. Mas não tanto. Quase nunca o
bastante para comover o paciente a mudar de atitudes e aprender novos
comportamentos.
O ser
humano não é um animal lógico nem inteligente. É antes, um bicho instruído por
outros vetores menos nobres. Dá até preguiça lista-los...
Freud
deparou espantado, com o esquisito fenômeno da resistência.
Todo
paciente resiste a mudar. Resiste a abandonar seus queridos, dolorosos e
antieconômicos sintomas. Resiste a perder as vantagens secundárias espúrias que
desfruta com sua doença. Resiste, sobretudo, a crescer. Seres humanos detestam
crescer.
Biologicamente,
aquele tubo oco que vai da boca pelo aparelho digestivo até o ânus, cresce para
os lados, cordado, vertebrado que é, bilateralmente, por um processo de
ingestão de alimentos que, em biologia evolutiva, denomina-se intussuscepção.
Psiquicamente,
seres humanos crescem na maioria dos vezes, pela mera passagem do tempo. Ou
quando muito lhes convém.
Para crescer
necessitam de vivenciar tempos largos, extensos, tranquilos, sem açodamento e
sem estarem alfinetados por conflitos ou por urgências.
Existencialmente,
seres humanos crescem superando os conflitos e os embates corriqueiros do dia a
dia. A maturidade viceja no intercurso da oposição, da frustração, seguida por
sua superação.
A
identidade pessoal viceja vivenciando o conflito e a oposição. Suplantando-os
em escansão.
Repressão
de nossos baixos instintos é absolutamente necessária para que nos tornemos
seres imersos e participantes na sociedade.
A
sociedade é nossa barreira apolínea, precariamente eficaz contra as más
surpresas da mãe madrasta natureza.
A
civilização é nosso bastião ético, o palácio apolíneo, construído pela razão,
para nos proteger dos cataclismos da natureza, na feliz acepção de Camille
Paglia.
Para o
paciente crescer é necessário que aprenda a articular a dualidade ou a
pluralidade dos paradoxos: elementos componentes díspares, aparentemente
incongruentes e que, no entanto, possuem um ou mais pontos em comum, permitindo
uma articulação, como dobradiça que os junge e os faz funcionais. Paradoxos são
nossas estimadas “crenças rachadas”, na feliz definição de William
Blake.
Se o paradoxo gera
impacto paralizante, de início, a sua resolução acarreta progresso notável no
arcabouço psíquico do sujeito, enriquecendo-o.
A feliz
definição de Henri Ey define um fato:
A neurose é a patologia
da liberdade.
Certo
que os esquemas mentais psiconeuróticos
constrangem graus montantes da liberdade do sujeito.
A liberdade,
aérea, sutil, inaparente, é a maior conquista que o Ocidente outorgou a seus
povos. Seus ares friozinhos são o oxigênio que instila nas pessoas felizes por viver no Ocidente.
Toda
psicoterapia visa ampliar o grau de liberdade a ser desfrutada pelo cliente.
Daí só é eficaz a psicoterapia laica, secular, não ideológica, não devocional,
não sectária.
Há uma minúscula
chama, uma fagulha, um brilho, no âmago da interioridade da pessoa e essa
chama, essa xispa fala e age como brio.
Sem deuses e descrente de seres
que nunca existiram.
Toda
psicoterapia atua sobre a dependência que é constitutiva de todo ser
humano. Nascemos dependentes dos bons amorosos cuidados da mãe-humanidade. Daí
não surpreender sermos comodistas, preguiçosos, acomodados. Sempre desejosos de
que o outro nos embale no colo e nos acalente. Estamos sempre implorando que um
amor, um omnibus, um patrão, um deus, um partido político, ou um Jumbo
nos acolha em seu bojo e nos garanta boa viagem sem maiores cuidados e sem
maiores responsabilidades. Todos nós queremos morar em Brasília para´poder
desfrutar das mordomias que só os poderosos do judiciário e os políticos se
outorgam e se locupletam. Ou, na
melhor das soluções, que um diabo venha e nos carregue. Todo neurótico é um
maior abandonado.
Fazer
psicoterapia implica em o cliente assumir-se a si mesmo, cada vez mais. Toda
terapia atua no sentido de fazer reduzir a dependência e ampliar a autonomia da
pessoa.
Além da
liberdade pessoal, o segundo maior desiderato outorgado pelo Ocidente a seus
habitantes, é a responsabilidade pessoal por suas ações, opções e
omissões que cada pessoa tem o dever de assumir. Isto está no centro de nosso
sistema de valores.
Nossas
identidades pessoais, narcisistas e egoístas, são fruto também do Ocidente.
Nossas personalidades distintas, combativas, introspectivas, conflitadas e
extremamente verbais e criativas são um produto da cultura Ocidental.
Como o
processo psicanalítico padrão envolvia elevado investimento de tempo, de
dedicação e de dinheiro, com suas cinco sessões semanais de 50 minutos, durante
3 a 6 anos, desde 1920, psicanalistas se empenharam em tentar acelerar o
processo de tratamento. O que se objetivava era desenvolver técnicas, meios e
modos de uma Psicanálise abreviada ou de uma terapia breve. Esse ideal
percorreu décadas, e chegou até nós,
até hoje. Dezenas de autores, centenas de livros propõem uma terapia breve.
Li e
estudei uma centena. Alguma coisa ficou. A forma como opero hoje é uma terapia
abreviada, às vezes, até, em sessão única.
Com o
acelerar do tempo vivenciado e a vertigem turbulenta que tomou conta das vidas
nas cidades do Ocidente, com suas mil solicitações, milhares de ofertas
corruscantes e, sobretudo, com o avassalador ímpeto intrusivo do celular, do computador
e de toda a nanotecnologia baseada no silício, a internet e os sites de compras
e de relacionamento, as pessoas se tornaram cada vez mais voltadas para fora de
si, externalizadas: o que interessa, o que é novidadeiro e fascinante é aquilo
tudo que está fora delas. Com isso, o espaço para o íntimo restringiu-se. A
subjetividade perdeu pontos e interesse.
Todos temos medo de Virgínia Woolf, da
própria subjetividade e da psicanálise.
Nós,
veteranos de 48 anos de prática e de estudo, tivemos que, malgrado tudo, de nos
adaptar. Foi assim que foi surgindo o modo marcoaureliano de fazer psicoterapia
efetiva, esperta e rápida.
Para isso, foi preciso abandonar
preceitos e dogmas clássicos. Muitos deles já relatados nas páginas anteriores.
Aprendemos
a diagnosticar rápido que certos clientes possuem, como dotação pessoal,
particular, um especifico talento terapêutico. São clientes que
após relatar sua conflitiva, ouvem, absorvem e põem em ação as primeiras
indicações do terapeuta. Logo rompem suas inibições, suplantam seus impasses e
criam novas configurações para suas vidas.
Novas
interpretações do psicoterapeuta agem como fermento, estimulam o aparecimento
de novas vivências, criando o vórtice de uma espiral prospectiva, ascendente,
em crescimento pessoal rápido e virtuoso.
Se é raro
encontrar cliente dotado de talento terapêutico, é extremamente gratificante
trabalhar com tais seres privilegiados. Quero afirmar que hoje são eles aqueles
que dão credibilidade e chancela ao nosso trabalho. Com eles aprendemos, na
certeza, o quê, como, de que maneira funciona a psicoterapia.
Alegrias,
irmão!
Com tais
clientes obtém-se logo a amortização e a compassivação do superego
superexigente e censor. Eles aceitam logo seus limites como ser
humano. E tratam de desenvolver suas
aptidões e seus talentos, aproveitando as oportunidades que surgem em sua
existência. Como bem acatam a assessoria do especialista e são capazes de usar
e de abusar de sua expertise, logo eles se põem a inovar e a criar
valores e artes e produtos.
Naturalmente, são pessoas que expandem sua capacidade de gozar os prazeres e os
confortos legítimos da vida.
Como são
pessoas espertas, felizes, bens resolvidas, obtém bons encontros e fazem novas
alianças muito promissoras. Assim caminham para resolver tudo aquilo de sua
vida que é passível de ser resolvido e solucionado.
Eles logo
aprendem a fazer as coisas dentro de um escopo de ligeiro e correto, para dar
menos aborrecimentos e sobrar tempo para aproveitar os bons momentos da vida.
Eles logo
aprendem que
Pra frente
é que se anda.
Mágoas passadas
não movem moinhos.
Sigmund
Freud, o redescobridor da dimensão inconsciente do psiquismo humano,
tornou-se um conquistador capaz de decifrar o significado dos sonhos. A
interpretação dos sonhos do consulente é uma das mais belas artes,
terapeuticamente produtiva, na clinica. Ao deparar com os mecanismos de
operação psíquica da condensação e do deslocamento, logo Freud percebeu a
projeção, a introjeção e os restantes 79 mecanismos de operação do ego. Isso
lhe permitiu dissecar os atos falhos e, logo, junto, pode descrever os símbolos
operantes no psiquismo sempiterno da humanidade.
Os
embondos e as trampolinagens da sexualidade logo transpareceram, claras,
criando as vicissitudes dramáticas de nossas pessoas distintas, narcisistas,
assertivas, conflitivas, introspectivas ou exibidas, extremamente verbais e
criativas.
Nossas
personalidades ocidentais, nossas identidades vicejam com o conflito e a
oposição. A responsabilidade pessoal por nossos atos e omissões está no centro
do nosso sistema. Sim, pois que a liberação sexual, nosso enganoso milagre dos
anos sessenta, termina em lassidão e inércia.
A
repressão psíquica e sexual, denunciado como o mal gerador da histeria e da
neurose, por Freud, depois que a rompemos, percebemos que é a repressão
psíquica que cria significado, propósito e empenho.
A
desrepressão sexual e dos costumes dos anos sessenta rompeu a caixa de Pandora
e espalhou o sexo homossexual, a AIDS, as drogas de curtição e pior dos piores,
a violência gratuita, estúpida e assassina
que vitima a sociedade ocidental.
Expostos
estamos á insanidade perversa desses males, vivemos com tensão aumentada, o que
nos acarreta fadiga, desencanto e, até, colapso.
Em psicoterapia,
induzimos o sofredor cliente a nos contar suas histórias de vida. Derrama ele
seus sintomas, seus achaques, e queixa-se das injúrias e das ofensas que tem
sofrido. Habitualmente, posiciona-se como vítima dos outros e do mundo. O
psicoterapeuta ouve, de início, atentamente, e vai pontuando, espichando o
relato, interrogando as falhas e os pontos obscuros. Se de inicio a escuta é
atenta e arguta, inquisitiva até, ao longo da sequência de muitas sessões, a
escuta evolui para uma atenção errática, flutuante, por parte do terapeuta. Isso permite-lhe a escolta do paciente ao
longo do processo que para esse é
necessário percorrer para se curar.
Como
Cheherazade, em As Mil e Uma Noites,
o relato não se conclui. Daí a necessidade de nova e novas sessões. Preso na
armadilha de si mesmo, o cliente vai bordando um especioso romance, cuja
principal função é o paciente tornar-se capaz de escutar a si mesmo. Logo,
adquire voz própria. Subsequentemente, adquire a escansão de sua consciência
sobre os seus afetos, os fatos, os feitos e os defeitos presentes em sua
trajetória de vida.
Já com
algumas sessões, o cliente se ilumina com o desmantelamento de vários de seus
sintomas, acompanhado da mitigação de
suas queixas e, mais significativo, percebe-se mais atilado, dotado que
encontra-se por um crescimento interior de sua mentalidade.
Em poucas
sessões, o cliente perde e distancia-se do álibi de suas ilusões douradas e de
suas falsas atribuições as tantas coisas que, pretensamente, o infelicitam. É
quando então cai de chofre no pleno contato com sua natureza humana. Depara-se com sua realidade humana sexuada
e finita. Aproximando-se e tomando maior intimidade com o que há de humano em
si, o cliente aprende a lidar com a realidade das coisas, tais como elas são e,
menos, não mais como gostava que elas fossem.
Desde
Shakespeare, sabemos que a realidade é pura mudança. O real, duro, impérvio, no
entanto, é transitório. A realidade é pura pirlimpsiquice : trampolinagens.
Revolias e frenesias, mais uma vez, e desde sempre.
Ao longo
do processo psicoterápico, o cliente perde os adereços e os badulaques de ser
um joguete na sociedade – consumidor, expectador, eleitor, produtor, comprador,
usuário, passageiro, elemento passivo e impotente.
Ao
acostumar-se à introspecção, o individuo vê acrescida sua personalidade assertiva:
torna-se mais e cada vez mais, sujeito a si mesmo, sujeito de si mesmo. Em
plena asseidade: é quando então que percebe que é dono e sujeito de si mesmo!
Passa a
ser dono do seu alvedrio, passa a saber
melhor onde meter o seu nariz e a fazer mais vantajosas escolhas.
A
introspecção, realizada no espaço tempo do sacrário da sessão psicoterápica,
possibilita ao cliente sondar as vastidões do abismo até então obscuro, entre
ele, como ser humano, e seus ideais e suas (des) ilusões e suas possibilidades.
Descarregado
da ganga psiconeurótica, o consulente energiza-se de uma vitalidade que o torna
facilmente capaz de se tornar agente articulador e compassivador de suas
percepções e de suas circunstâncias conflitantes.
Um jucundo
sobreproduto que ressalta da psicoterapia bem empreendida, é a espontaneidade e
a exuberância pela qual passa a comportar-se a pessoa em sua vida de relação
social.
A
psicoterapia procura identificar a pessoa do cliente, ensinando-o o que sentir
de seu, o que perceber como decisório valioso, para assim formular novos
pensamentos mais modernos e consentâneos, traduzindo as verdades provisórias de
que é capaz de suportar, sem se infelicitar e sem perecer.
Vivendo
hoje em um mundo que nos solicita e nos esgarça para fora de nós mesmos, o tempo
todo e cada vez tentadoramente mais, nossas populações tornam-se apassivadas,
atoleimadas, ávidas expectadoras não críticas de tudo que lhes é oferecido em
imagens turbilhonantes. E inúteis, 99%
delas.
Assim, o
resguardo laico da sessão psicoterápica é um bastião, um baluarte profissional
humanístico onde o privilegiado consulente retempera sua vontade própria e
afina sua autocrítica.
Só existe
ser humano se e quando ele está dotado de força de vontade depurada e
capacidade de ajuizamento pessoal desassombrado.
O processo
psicoterápico que promovo – a maneira marcoaureliana de professar psicoterapia
– aufere da sabedoria secular do Ocidente, bebendo águas de todos os rios,
sábio demais para ater-me a uma só crença. Trabalho desprovido de ideologias políticas,
de crenças religiosas, de idealidades fashions. Isso implica desprezar
as místicas de imanência, que, como falsos brilhantes, fascinam e capturam
profissionais incautos de meia confecção.
Sei, com
os hindus, os persas, os gregos, os romanos, com Montaigne, Shakespeare,
Espinosa, Nietzsche e Harold Bloom, que a natureza humana ruge e flui,
imperando, sobranceira, rumo a uma transcendência laica, dessacralizada,
secular.
Em clinica
psicoterapica há alguns marcos.
Ninguém gosta de ser abandonado.
Ninguém
tolera ver seus méritos pessoais não
reconhecidos.
Ninguém
gosta de perder batalhas e contendas.
Ninguém
gosta de ser enganado, defraudado, desprezado.
Ninguém tolera bem ser esquecido
. Ninguém
gosta de ser preterido.
A exibição
da franqueza é uma poderosa arma relacional.
Amor
costuma ser muito barulho por nada.
Toda
atração sexual é de origem imprevista e arbitrária.
É uma
caixa-preta irrecuperável.
Em psicoterapia,
terapêutica estribada em íntima relação médico-paciente, utiliza-se o verbo, a
palavra, a linguagem, como meio privilegiado e preferencial de interlocução. No
entanto, o psicoterapeuta experimentado tem sempre em mente, os versos de
Shakespeare:
Oh loucura
do Verbo,
Que escogita razões contra e a favor
Na própria
causa!
Tróilo
p.423
Eis o limite
prudencial do processo, que se deve levar em conta.
Não agimos de acordo com as nossas
palavras. p.871
No
entanto, outro subproduto útil é o fato de que, ao falar e ao se ouvir, o
consulente logo aprende que seu pensamento aflora, descobre a idéia em seus berços
mudos, biológicos, endógenos, inconscientes.
O lema que culmina
e fecha o processo psicoterápico é aquele cunhado por Parolles:
A vida
continua a ser risonha,
Mesmo por que
brio arrefece e espada cria ronha
Parolles
vai deixar de ter vergonha.
Minha vida
vai depender, de agora em diante,
apenas do que realmente sou.
Parolles p.438
Eis ai a
epítome do processo de individuação, de pessoalização e de personificação do
humano que existe, em potencial, em cada cliente.
A partir
daí, disso, é bom que nos comportemos com serenidade, pois estamos sempre nos
deparando com pessoas com as quais não marcamos encontro algum. E elas é que,
eventualmente, se tornarão nossos aliados e nossos novos diletos amigos.
A vida é
comandada pelo capricho, pelo acaso, pelos acidentes que acontecem. Os horrores
provém não mais dos deuses ou dos demônios mas provém, isto sim, do coração
das trevas e do psiquismo maligno passível de ser disparado,
inopinadamente, em cada um de nós.
Eros é o
verdadeiro horror... pois mergulha o homem nos infortúnios da vida sexual.
Em uma psicoterapia bem sucedida,
presenciamos o desabrochar de um Eu interior em crescimento constante,
adquirindo complexidade e diferenciação, mesmo à medida em que expande notável
consciência acerca de sua bissexualidade. É dessa maneira que se erige uma tão necessária Egodiceia.
O cliente adquire e
exerce uma liberdade interior que se derrama, benéfica, por sobre todos aqueles
com os quais convive. A sensibilidade do cliente torna-se secular; seu
autoconhecimento é engendrado a partir de si mesmo. Por vezes, em epifania, ele
captura e alcança o sublime.
Nossas
mutações, nossas metamorfoses são provocadas pelo acaso, pela fortuna, pelo
evolver dos acontecimentos. Pela Morte, que é a igualitária mutação final. É
isso que gira, incessantemente, a roda de nossa vida. Somos ludibriados, ainda,
pelo amor, pelos nossos pais e por nossas doenças e pela decadência de nossa
idade e saúde.
Vitalismo,
exuberância, alegria, prazeres epicúreos são estratégias contra-depressivas.
Viver é
criar uma obra de arte, uma poesia das coisas vividas tais como elas são, de
fato.
Sem
mistificações.
Isso
porque somos feitos da matéria dos sonhos, de males e de bens; nossa vida
pequenina é cercada pelo sono. Não nos aguarda a ressurreição.
O
homem folhinhas de esperanças
carregado de
honrarias
vem a geada, a
raiz lhe morde
caindo ele, tal
como agora eu caio.
Próspero p. 833.
Sigmund Freud, o redescobridor da dimensão inconsciente do psiquismo
humano, tornou-se um conquistador capaz de decifrar o significado dos sonhos. A
interpretação dos sonhos do consulente é uma das mais belas artes
terapeuticamente produtiva, na clínica. Ao deparar com os mecanismos de
operação psíquica da condensação e do deslocamento, logo Freud percebeu a
projeção, a introjeção e os restantes 79 mecanismos de operação do ego. Isso
lhe permitiu dissecar os atos falhos e, logo, junto, pode descrever os símbolos
operantes no psiquismo sempterno da humanidade.
Os embondos e as trampolinagens da sexualidade logo,
transpareceram, claras, criando as vicissitudes dramáticas de nossas pessoas
distintas, narcisistas, assertivas, conflitivas, introspectivas ou exibidas,
extremamente verbais e criativas.
Nossas
personalidades ocidentais, nossas identidades viceja com o conflito e a
oposição.
A responsabilidade pessoal por
nossos atos e omissões está no centro do nosso sistema.
Sim, pois
que a liberação sexual nosso enganoso milagre dos anos sessenta, termina em
lassidão e inércia.
A
repressão psíquica e sexual, denunciada como o mal gerador da histeria e da
neurose, por Freud, depois que a rompemos, percebemos que é a repressão
psíquica que cria significado, propósito e empenho.
A
desrepressão rompeu a caixa de Pandora e espalhou o sexo homossexual, a AIDS,
as chagas de curtição e pior dos piores, a violência gratuita, estúpida e
assassina, que vitima a sociedade ocidental.
Expostos estamos a insanidade perversa desses
males, vivemos com tensão aumentada, o que nos acarreta fadiga, desencanto e
até, colapso.
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